
Conatus
A forma como o invisível se faz corpo.
Nesta superfície, a teoria da forma não busca representar, mas revelar: o que está oculto na textura, no gesto, na sobreposição de camadas. O abstracionismo aqui não é fuga da realidade, mas a sua transmutação — o conatus – a força vital que persiste em ser, emerge na tensão entre o azul-turquesa pulsante e o cinza terroso, como um campo de forças em constante luta e equilíbrio.
A tela não é apenas suporte — é membrana. A malha metálica, sobreposta, não encobre, mas filtra a intuição não-racional: aquela que não pensa, mas sente, vibra, insiste. Este trabalho é um diagrama de energia, um mapa do impulso interno que escapa à lógica, mas que se manifesta na matéria — nas rugas, nos respingos, na resistência do pigmento contra o tecido.
O que se vê não é paisagem, nem objeto. É o esforço de existir, pintado.