Pintura abstrata 'Ritual Cósmico' sobre fundo azul profundo. Formas geométricas radiantes em roxo, amarelo e laranja, que lembram satélites ou células, flutuam conectadas por linhas finas verdes e brancas. Um arco tracejado branco cruza a parte superior.

Ritual Cósmico

ColeçãoENTRE INTERVALOS E LUGARES
Dimensões60x60
Preço400€

Este quadro não é imagem — é ritual cósmico. Este título revela que a obra não representa o espaço exterior como cenário estrelar, mas encarna o instante em que o cosmos se manifesta como dança viva, onde cada forma, cada cor, cada linha é um movimento, um ritmo, um passeio num eterno bailado cósmico. O fundo azul profundo não é céu — é campo de força sagrado, o ambiente onde as galáxias não flutuam, mas giram, pulsam, colidem… As formas radiantes, coloridas, quase orgânicas — que parecem estrelas, nebulosas ou células cósmicas são núcleos de energia em crise, vestígios de uma vida cósmica que se manifesta não como harmonia, mas como ritmo vital, como conatus universal.

As linhas que as conectam, os traços nervosos, as áreas de choque entre cores — não são acidentes estéticos, mas marcas do ritual cósmico: o peso da gravidade, o impulso da expansão, o grito silencioso da matéria que se recusa a ficar quieta. O quadro não é imagem porque não busca mostrar um lugar — ele é o próprio acto de desequilíbrio cósmico, o instante onde o universo não está concluído, mas em constante processo de criação e destruição, onde cada explosão é também gestação, cada colisão é também união, cada fragmento é também totalidade. É ritual cósmico, sim — mas não como cerimónia, mas como gesto vivo da inteligência cósmica, onde cada movimento é oração, cada cor é invocação, cada pausa é silêncio sagrado.

Nesta obra, a arte não ilustra — ela é o próprio pulso do universo, o ritmo daquilo que nunca descansa, que sempre se esforça, que sempre se transforma. E é nesse estado de agitação primordial — entre o que nasce e o que morre, entre o que se une e o que se separa, entre o que brilha e o que se apaga — que o cosmos que dança no espaço azul não é espetáculo — é sacramento, e que só quem sente essa dança dentro de si pode reconhecer que, afinal, somos feitos da mesma matéria que as estrelas — e que, como elas, também estamos sempre em estado de renovação, de existência.