Pintura de técnica mista 'O Ser como Fratura Luminosa'. A obra divide-se entre um topo azul profundo e uma base vermelho terracota. No horizonte central, alinham-se blocos geométricos coloridos (amarelo, verde, branco, vermelho). Abaixo deles, uma fenda irregular revela texturas escuras e rochosas, criando uma fratura na superfície vermelha.

O Ser como Fratura Luminosa

ColeçãoENTRE INTERVALOS E LUGARES
Dimensões30 x 40cm
Preço100€

Este quadro não se oferece à contemplação — exige participação. Ele é um campo de forças onde a metafísica se encarna: o azul-celeste acima não é céu, mas limite do pensável; o vermelho incandescente abaixo, não é chão, mas profundidade do existir. Entre eles, a fratura — os fragmentos coloridos, as formas escuras, os corpos em desintegração — são vestígios de um mundo que se revela apenas por meio da sua própria ruína.

A arte, aqui, cumpre sua função metafísica: não imitar, mas desvelar. Não representar o real, mas manifestar o Real — aquele que precede a forma, que a habita e a despedaça. Os blocos geométricos no horizonte não são construções, mas símbolos de ordem tentando conter o caos. E o caos, por sua vez, não é ausência — é plenitude em movimento, é matéria que urge na sua vontade de ser.

O que vemos não é paisagem, nem figura — é acontecimento ontológico: a luta entre o que se quer fixar e o que insiste em fluir; entre o que se nomeia e o que escapa ao nome. A pintura torna-se ritual: um ato de invocação daquilo que não pode ser dito, mas que se sente na textura, na camada, no gesto que não foi esboçado, mas necessário.

Neste quadro, a arte não é objeto — é presença.